Mar 21, 2007

PESQUISA M-GOV 2007 MOBILIDADE NO GOVERNO
“FATORES ALAVANCADORES E OBSTÁCULOS”

Apresentação
O sucesso da mobilidade no governo depende em larga medida da existência de aplicações focadas nas necessidades do cidadão (a área da saúde é melhor candidata a ter a “killer application”) e do investimento na disponibilizarão massiva de serviços ao cidadão via dispositivos móveis. Por outro lado, poderão atrapalhar significativamente os esforços se as instituições públicas não se prepararem para esse tipo de serviço e se as operadoras não reduzirem os custos de seus serviços móveis de valor agregado.
Essas são as principais conclusões da pesquisa realizada durante o mês de janeiro pelo Instituto CONIP. Participaram dessa pesquisa membros do Conselho Consultivo para M-Gov que responderam ao questionário aplicado com o objetivo de identificar quais são as forças alavancadoras para o sucesso da mobilidade no governo e quais são os seus fatores impeditivos (o questionário aplicado encontra-se no Anexo I).
Dos 30 conselheiros, 24 responderam às perguntas. Foram 9 representantes de governo, 8 representantes de universidades e entidades de pesquisa e 7 representantes do setor privado (a lista completa de todos os conselheiros encontra-se no Anexo II).

Metodologia
Foram elaboradas apenas 3 perguntas bem objetivas, focadas no interesse da pesquisa: coletar de profissionais especializados em tecnologias de mobilidade e suas aplicações na gestão pública suas opiniões sobre os fatores alavancadores e obstáculos significativos ao desenvolvimento da mobilidade na gestão pública. Para cada pergunta foram apresentadas 5 respostas (alternativas) e solicitou-se aos pesquisados que colocassem as respostas (alternativas) em ordem de prioridade, indicando pela ordem aquelas que melhor respondiam à pergunta feita. Foi dada a opção ao pesquisado de colocar respostas diferentes das alternativas propostas ou não priorizar nenhuma delas.
Uma única pergunta livre foi feita solicitando uma resposta que indicasse qual seria a aplicação que poderia tornar-se o paradigma da revolução móvel no serviço público.
Coletada as respostas, todas foram tabuladas numa planilha para obtenção da média das opiniões. Como a pesquisa solicitou dos entrevistados a indicação de prioridades, da primeira a quinta prioridade em um leque de 5 alternativas, a tabulação gerou uma matriz de colunas Alternativas A, B, C, D e E e linhas Prioridade 1, 2, 3, 4 e 5, onde a intersecção colunas x linhas indicou para cada alternativa quantas vezes ela foi apontada em cada prioridade.
A obtenção da opinião média exigiu que se estabelecesse um fator de ponderação entre todas as respostas. Considerou-se que todas as alternativas eram bem razoáveis e possíveis como respostas às perguntas formuladas. Assim, a ponderação não considerou a prioridade mínima como ausência de prioridade. Numa escala de 0 a 10, cada alternativa que recebeu indicação como a principal prioridade teve a sua quantidade de indicações multiplicada por um fator de ponderação 10, se indicada como segunda fator 9 e assim sucessivamente até a menor prioridade que teve um fator multiplicador 6.
Aplicado esse fator de ponderação, chegou-se para cada alternativa a um valor que representou a sua importância relativa às demais alternativas o que possibilitou identificar a opinião média.
Para viabilizar as comparações, os entrevistados foram agrupados em 3 segmentos distintos: governo (para todos os entrevistados que estão trabalhando em órgãos públicos), universidades/entidades de pesquisa (para aqueles que estão atuando em universidades ou em entidades de temas afins) e empresas privadas. A tabulação apresenta-se também agrupada nos 3 segmentos distintos.
Os comentários a seguir foram elaborados a partir dos números obtidos na tabulação e ponderação dos dados da pesquisa que podem se encontrados no Anexo III.

Conclusões
As principais conclusões foram extraídas somente mediante interpretação dos números obtidos na tabulação dos dados. Os comentários feitos durante e após a divulgação dos resultados preliminares entre os entrevistados não estão considerados nesse relatório.

*1. Quais seriam as forças alavancadoras para o sucesso da mobilidade no governo?

De uma maneira inquestionável, alcançando em preferência 226 pontos de 240 possíveis, a força alavancadora para o sucesso da mobilidade no governo é o desenvolvimento de
----- e) aplicações efetivamente focadas em soluções de interesse do cidadão.
A seguir, alcançando 202 pontos, a necessidade de maior
----- b) investimento na disponibilização massiva de novos serviços públicos em dispositivos móveis.
As demais alternativas não atingiram pontuação expressiva e apresentaram valores muito próximos entre si, indicando não haver grande diferenciação de prioridade relativa entre elas.
Separando as respostas pelos segmentos de atuação Governo, Empresas privadas e Universidades/entidades de pesquisa constata-se que todos os segmentos consideraram igualmente as aplicações focadas no cidadão com a principal força alavancadora. No entanto, para o segmento Universidade/entidades de pesquisa, a segunda maior força alavancadora não é igual ao resultado geral, mas acredita-se que haverá
--------- a) maior nível de exigência dos cidadãos: ao comparar os serviços já existentes no setor privado haverá maior demanda por soluções móveis semelhantes no setor público.
Essa diferença de percepção talvez mereça uma explanação mais acurada por parte dos Conselheiros desse segmento, uma vez que Governo e Empresas privadas concordam numericamente. Essa discordância das Universidades/entidades de pesquisa pode eventualmente apontar para algo novo como a emergência da Web 2.0.
Também chama a atenção o fato de que somente o segmento Governo considerou como a alternativa menos prioritária
------ c) o incremento substancial da conectividade como pedra fundamental da mobilidade.
Todos os demais segmentos consideraram como menos prioritário para alavancar a mobilidade
------ d) as próprias características intrínsecas aos dispositivos móveis que viabilizam a comunicação em qualquer lugar e a qualquer tempo.
No mínimo, esse resultado é coerente com a lentidão nos programas de expansão da conectividade no País.

*2) Que fatores são empecilhos para o desenvolvimento da mobilidade no governo?
Quando se trata dos empecilhos, a unanimidade não foi tão grande. Alcançou 196 pontos de 240 possíveis, indicando como o maior empecilho para o desenvolvimento da mobilidade no governo o fato de que
-------- b) as instituições públicas não estão preparadas do ponto de vista gerencial para perceber os benefícios do M-Gov nem para gerenciar os processos necessários.
Não muito distante, com 193 pontos, outro empecilho relevante é
-------- e) o custo dos serviços das operadoras inviabilizam os projetos
As demais alternativas alcançaram pontuação bastante próxima o que indica não haver grande diferenciação de prioridade entre elas.
Separando as respostas por segmento de atuação Governo, Empresas privadas e Universidades/entidades de pesquisa constatam-se poucas diferenças em relação ao resultado geral. Os segmentos Governo e Universidades/entidades de pesquisa concordam que as alternativas "b" e "e" são os principais empecilhos nessa ordem. E o setor privado concorda, porém em ordem contrária.
Chama a atenção a auto-crítica de dois segmentos. Enquanto o Governo considera que o principal empecilho é o despreparo das instituições públicas para as tecnologias de mobilidade, o setor privado acredita que o principal empecilho são os custos dos serviços das operadoras. Seria de se esperar opiniões invertidas, porém há que se considerar que na manifestação do setor privado está embutida uma crítica aos custos dos impostos.
Por outro lado, há respostas que chamam a atenção por serem exatamente como esperadas. As empresas privadas como fornecedoras não fazem críticas à tecnologia de mobilidade disponível. Por sua vez é a visão do Governo que consideram a maturidade da tecnologia como um empecilho relevante eleva essa questão a um patamar relevante no resultado final.

Finalmente, foi feita uma provocação na terceira pergunta:
*3) Que área do governo é mais propensa a ter a "killer application" (aquela aplicação que consolidaria de vez a mobilidade no governo)? Você arriscaria a prever o tipo de aplicação?
Houve um consenso extremamente significativo nas respostas. Creio que é um excelente indicativo para aqueles que estão a caminho de definições de investimentos em mobilidade no Governo. Das 24 respostas, 12 indicaram que a "killer application" estará em serviços na área da
- SAÚDE (agendamento, confirmação de consultas, alerta de exames, vacinação, dispensação de medicamentos, fila de transplante, prontuários e informações ao usuário).
Também recebeu 10 indicações, porém dispersa em áreas funcionais do Governo, as aplicações de
- INFORMAÇÕES AO CIDADÃO (Imposto de renda e similares, veículos, multas de trânsito e pontos na CNH, verificação de CPF, localização de serviços públicos e andamento de processos).
Outra área onde poderá ter a "killer application", com 5 indicações, é a
- EDUCAÇÃO (matrícula, notas de alunos, avisos de reuniões com os pais).
Também com 5 indicações, que até poderia estar em Informações ao cidadão, mas está melhor separadamente como
- BENEFÍCIOS SOCIAIS (Disponibilidade de emprego, situação do FGTS, declaração de isento, solicitação de benefício da Previdência).
Com um número menor de indicações apareceram Segurança Pública e Defesa Civil, serviços tipo SAC, Fiscalização e Pagamento de Tributos.
E como sugestões adicionais às alternativas propostas, fundamentais para a consolidação do M-Gov, foram citadas:
- "o grande fator alavancador da mobilidade no governo é a ampla divulgação de soluções. O setor público é movido a exemplos de sucesso." "Mostrar o gestor público usando é poderoso"
- "para a maximização da mobilidade no governo é fundamental o levantamento de uma tipologia das tecnologias e infra-estrutura de TI Móvel"
- "a mais promissora referência para a mobilidade seria os modelos de interação comunitária". "Pesquisar a necessidade dos cidadãos suporta o governo na definição de suas estratégias de mobilidade". "Muita experimentação. É o usuário que nos diz o que funciona ou não".
- foram sugeridos, sem detalhe, a importância de se considerar novos tipos de contratos corporativos de voz e dados, tarifação reversa e interatividade com celulares pré-pagos;

Relatório elaborado por:
Instituto CONIP, Vagner Diniz, presidente
Em 27 de fevereiro de 2007


ANEXO I
QUESTIONÁRIO APLICADO

QUESTIONÁRIO 18-01-2007

Como conceito de referência, entendemos por M-Gov a estratégia de oferta de serviços públicos através de plataformas móveis que provê aos seus usuários, cidadãos e servidores públicos, os benefícios de obterem serviços e informações em qualquer lugar a qualquer tempo.

1. Quais seriam as forças alavancadoras para o sucesso da mobilidade no governo? Das cinco alternativas abaixo, ordene da mais importante para a menos importante numerando de 1 a 5 respectivamente. Fiquem a vontade para acrescentar outras.
a) maior nível de exigência dos cidadãos: ao comparar os serviços já existentes no setor privado haverá maior demanda por soluções móveis semelhantes no setor público
b) investimento na disponibilização massiva de novos serviços públicos em dispositivos móveis
c) incremento substancial da conectividade como pedra fundamental da mobilidade
d) as próprias características intrínsecas aos dispositivos móveis que viabilizam a comunicação em qualquer lugar e a qualquer tempo,
e) aplicações efetivamente focadas em soluções de interesse do cidadão

2) Que fatores são empecilhos para o desenvolvimento da mobilidade no governo? Das cinco alternativas abaixo, ordene da mais importante para a menos importante numerando de 1 a 5 respectivamente. Fiquem a vontade para acrescentar outras.
a) maturidade da tecnologia: a maioria das aplicações existentes são experimentos, projetos pilotos e não alcançam o interesse do cidadão
b) as instituições públicas não estão preparadas do ponto de vista gerencial para perceber os benefícios do M-Gov nem para gerenciar os processos necessários
c) ambiente regulatório não está claramente definido o que inibe investimentos
d) as limitações intrínsecas aos dispositivos móveis: displays, teclados e memórias reduzidas
e) o custo dos serviços das operadoras inviabilizam os projetos (quando a mobilidade pressupõe o uso do celular)

LISTA DOS CONSELHEIROS M-GOV - ATUALIZADA EM 02/03/2007

3) Considerando o cenário dos dispositivos móveis:
- 2006 fechou com 100 milhões de celulares habilitados, 80% pré-pagos
- a venda de notebooks cresceu 107% em 2006
- 40% dos usuários de celular utilizam SMS e download de aplicativos
- estima-se que em 2009, mas da metade dos acessos a Internet no mundo será feita através de dispositivos móveis.

Federal - consulta do CPF e solicitação de benefícios a Previdência
Estadual - Informações sobre Multas de Transito (venc, valores e pontos)
Municipal - Informações sobre Atendimento nos Postos de Saúde (horários, endereços, etc.)

Fonte: Conip